Dos poetas

Aos filhos de puta - 2008-09-26 03:49




1959


A todos os que se vendem e abandalham
a todos os que crêem que são os únicos
os melhores e a elite entre os demais e
se pavoneiam na sua imbecilidade estonteante
intelectuais de pacotilha e militantes da mediocridade
a todos que se aplaudem em salamaleques de familiaridades
e consanguinidades de palavras para aplauso umbilical
aos curtos de vista viscerais defensores da pequenez
provinciana travestida de francesismos e transatlânticas
vitualhas literárias a peso ou a metro milimetricamente
deglutidas entre croquetes e champanhes de imitação
pechisbeques de cabeças vazias embevecidas na vã cegueira
dos que se acreditam os únicos olhos como se em terra de cegos vivessem

ergo a minha taça
e desejo que a terra lhes seja pesada aos ossos
fragilizados de tanto curvar a cerviz
em cansaços vividos na inverdade da sua académica peralvilhice

bebo aos filhos de puta
aos inúteis
aos sem afectos
aos sem memória
aos medíocres
à matilha e à corja
bebo a todos os filhos de puta
mas bebo de pé aos filhos de puta maiores
a todos eles e aos que me enojam

Fátima Pinto Ferreira

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2008/08/aos-filhos-de-puta.html

Poética - 2008-09-26 03:49





1884 /1968


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2007/12/potica.html

Cacos e estilhaços - 2008-09-26 03:49






1939


Há tanto ano que vassouro os cacos do meu dia-a-noite.
Alguns (poucos) colei-os com tempo, suor e lágrimas.
Mas todos os outros me atolaram,
irrecuperados estilhaços de mágoas e cobardias.

Agora, estou-os juntando todos,
caco a caco, estilhaço a estilhaço.
E tudo começa a encaixar.
(Será de muito amar?)

José Carlos Mégre


Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2007/12/cacos-e-estilhaos.html

Traços - 2008-09-26 03:49





1959


Há nas tuas mãos
um traço que traça um troço
de mim e me retorce, contorce
e distorce em ínfimos, milimétricos
sentires.

Esse traço das tuas mãos
que me traça é a chave precisa
para eu me traçar no traço das tuas mãos.

Fátima Pinto Ferreira


Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2007/11/traos-h-nas-tuas-mos-um-trao-que-traa.html

Alguien sueña - 2008-09-26 03:49











1899/1986


¿Qué habrá soñado el Tiempo hasta ahora, que es, como todos los ahoras , el ápice?
Ha soñado la espada, cuyo mejor lugar es el verso.
Ha soñado y labrado la sentencia, que puede simular la sabiduría.
Ha soñado la fe, ha soñado las atroces Cruzadas.
Ha soñado a los griegos que descubrieron el diálogo y la duda.
Ha soñado la aniquilación de Cartago por el fuego y la sal.
Ha soñado la palabra, ese torpe y rígido símbolo.
Ha soñado la dicha que tuvimos o que ahora soñamos haber tenido.
Ha soñado la primera mañana de Ur.
Ha soñado el misterioso amor de la brújula.
Ha soñado la proa del noruego y la proa del portugués.
Ha soñado la ética y las metáforas del más extraño de los hombres, el que murió una tarde en una cruz.
Ha soñado el sabor de la cicuta en la lengua de Sócrates.
Ha soñado esos dos curiosos hermanos, el eco y el espejo.
Ha soñado el libro, ese espejo que siempre nos revela otra cara.
Ha soñado el espejo en que Francisco López Merino y su imagen se vieron por última vez.
Ha soñado el espacio. Ha soñado la múscia, que puede prescindir del espacio.
Ha soñado el arte de la palabra, aún más inesplicable que el de la música, porque incluye la música.
Ha soñado una cuarta dimensión y la fauna singular que la habita.
Ha soñado el número de la arena.
Ha soñado los números transfinitos, a los que se llega contando.
Ha soñado al primero que en el trueno oyó el nombre de Thor.
Ha soñado las opuestas caras de Jano, que no se verán nunca.
Ha soñado la luna y los dos hombres que caminaron por la luna.
Ha soñado el pozo y el péndulo.
Ha soñado a Walt Whittman, que decidió ser todos los hombres, como la divinidad de Spinoza.
Ha soñado el jazmín, que no puede saber que lo sueñan.
Ha soñado las generaciones de hormigas y las generaciones de los reyes.
Ha soñado la vasta red que tejen todas las arañas del mundo.
Ha soñado el arado y el martillo, el cáncer y la rosa, las campanadas del insomnio y el ajedrez.
Ha soñado la enumeración que los tratadistas llaman caótica y que de hecho es cósmica, porque todas las cosas están unidas por vínculos secretos.
Ha soñado a mi abuela Frances Haslam en la guarnición de Junín, a un trecho de las lanzas del desierto, leyendo su Biblia y su Dickens.
Ha soñado que en las batallas los tártaros cantaban.
Ha soñado la mano de Hokusai, trazando una línea que será muy pronto una ola.
Ha soñado a Yorick, que vive para siempre en unas palabras del ilusorio Hamlet.
Ha soñado los arquetipos.
Ha soñado que a lo largo de los veranos, o en un cielo anterior a los veranos, hay una sola rosa.
Ha soñado las caras de tus muetos, que ahora son empañadas fotografías.
Ha soñado la primera mañana de Uxmal.
Ha soñado el acto de la sombra.
Ha soñado las cien puertas de Tebas.
Ha soñado los pasos del laberinto.
Ha soñado el nombre secreto de Roma, que era su verdadera muralla.
Ha soñado la vida de los espejos.
Ha soñado la vida de los espejos.
Ha soñado los signos que trazará el escriba sentado.
Ha soñado una esfera de marfil que guarda otras esferas.
Ha soñado el calidoscopio, grato a los ocios del enfermo y del niño.
Ha soñado el desierto.
Ha soñado el alba que acecha.
Ha soñado el Ganges y el Támesis, que son nombres de agua.
Ha soñado mapas que Ulises no habría comprendido.
Ha soñado a Alejandro de macedonia.
Ha soñado el muro del Paraíso, que detuvo a Alejandro.
Ha soñado el mar y la lágrima.
Ha soñado el cristal.
Ha soñado que alguien lo sueña.

Jorge Luís Borges


Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/07/alguien-suea-qu-habr-soado-el-tiempo.html

O amor em linguagem de computador (versão 2) - 2008-09-26 03:49






s/d


Percorro com os dedos o teclado
e acaricio nele a tua pele
que imagino morena e macia.

Envolvo com o olhar o monitor aceso
e procuro aí os teus olhos
que suponho escuros e ardentes.

Passeio com o rato no tapete
e sinto os teus lábios no meu corpo,
vagarosamente deslizando
e deixando nele o sabor que imagino em ti.

Maria Carlos Loureiro

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/sd-o-amor-em-linguagem-de-computador.html

Não me procures ali - 2008-09-26 03:49






1930/2004


Não me procures ali
Onde os vivos visitam
Os chamados mortos.
Procura-me
Dentro das grandes águas
Nas praças
Num fogo coração
Entre cavalos, cães,
Nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
Ou espelhada
Num outro alguém,
Subindo um duro caminho

Pedra, semente, sal
Passos da vida. Procura-me ali.
Viva.

Hilda Hilst

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19302004-no-me-procures-ali-onde-os.html

A carícia perdida - 2008-09-26 03:49






1892/1938


Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

Alfonsina Storni

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/18921938-carcia-perdida-sai-me-dos.html

Caixinha de música - 2008-09-26 03:49





s/d


impregno-me em ti como um perfume
como quem veste a pele de odores ou a alma de
cetins
quero que me enlaces ou me enfaixes de muitos
laços
abraços fitas ou fios transparentes

em celofane brilhando uma prenda
uma menina te traz vestida de lumes
incandescendo incandescente
te quer embrulhada em véus de seda e brocado

encantada a serpente a flauta o mago
senhor toca
e quando me toca
o corpo eu abro

caixinha de música
dentro
com bailarina que dança

Ana Mafalda Leite

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/sd-caixinha-de-msica-impregno-me-em-ti.html

Ninguém meu amor - 2008-09-26 03:49






1940/2000


Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos

Sebastião Alba

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19402000-ningum-meu-amor-ningum-como.html

Não quero cantar amores - 2008-09-26 03:49







1922


Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Da má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

Agustina Bessa-Luís

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1922-no-quero-cantar-amores-amores-so.html

Eu sou a outra que eu sou - 2008-09-26 03:49





1959

Abomino o ser "porque sim", ser porque os outros são, pensar o que os outros pensam, fazer o que os outros querem que se faça ou esperam que assim seja ou porque é assim que deve ser... Chega!

Não quero trocar de pele nem tatuá-la com as aspirações, os medos ou os ascos dos outros.
Não quero esperar quando me apetece avançar, não vou calar mais as palavras que quero dizer.
Não vou pretender ser, quero ser plenamente, aqui, ali, onde quer que seja. Conhecer céus e o os infernos todos é o meu trilho. Não me dêem piedades nem palavras ocas de sentimento. Não as quero. A dor dos outros não é a minha, a minha às vezes, quantas?, também não a é. Desconheço-me e a ninguém conheço.

Eu sou água em movimento, indiferente aos que nela se afogam, miragem e sedução, sedenta de marés convulsas desfragmentada entre luas. Terra ora fecunda ora árida, terra dolente, cálida ou gelada, alimento e sepultura. Não é o ar alheio que alimenta o meu fogo.

Eu sou a outra que eu sou, reflexos de mim num espelho côncavo ou convexo tanto faz, eu sou a outra e a outra só eu sou. Eco de mim nunca mais. Antes grito que lamento, antes o vómito à repugnância engolida. Prefiro os ventos, galernos, espertos ou ventantes, arribarei sempre ao meu porto apesar dos xaroucos. Sou nau e tenho vela, latina ou quadrada tanto faz, nau de loucos ou barca bela, sou a nau e irei ao zénite ou ao nadir ao sê-la.

Fátima Pinto Ferreira

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1959-abomino-o-ser-porque-sim-ser.html

Quis-te tanto que gostei de mim! - 2008-09-26 03:49






1893/1970


Quis-te tanto que gostei de mim!
Tu eras a que não serás sem mim!
Vivias de eu viver em ti
e mataste a vida que te dei
por não seres como eu te queria.
Eu vivia em ti o que em ti eu via.
E aquela que não será sem mim
tu viste-a como eu
e talvez para ti também
a única mulher que eu vi!

Almada Negreiros

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/18931970-quis-te-tanto-que-gostei-de.html

A bala fatal - 2008-09-26 03:49







1960



a bala fatal
não é aquela
que tomba o corpo
definitivamente

tão pouco é a da dor única
e derradeira

fatal é a bala
que acerta o ninho de sonhos
em cheio
e estilhaça-o em pedaços tantos
de se perder a conta
e não mais se conseguir juntá-lo
num só.

a bala que tomba o corpo
sangra só uma vez.

a outra,
dói todos os dias
pro resto da vida da gente.

Ademir Antônio Bacca

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1960-bala-fatal-bala-fatal-no-aquela.html

O deserto inominável - 2008-09-26 03:49





1951


O deserto é um silêncio depois do mar,
É o êxtase da luz sobre o coração da areia.
Vai-se e volta-se e nada se esquece.
Tudo se oculta para depois se dar a ver
No ponto em que os ventos se cruzam
E as almas gritam no fundo dos poços.
Os cestos sobem e descem prometendo água,
Uma frescura que derrete a febre.
Não são as tâmaras que adoçam a boca,
É a beleza das mulheres dissimulando
O desejo como um pecado sob a escuridão dos véus.
As serpentes assobiam ou cantam
Conforme o veneno que lhes molda o sangue.
Enroscam-se sobre as pedras
como fragmentos de lua à espera da manhã.
E a sombra alonga-se nas dunas
Ondulando rente às palmeiras
Como a última cobra do medo das crianças.
Não há ruído maior que este silêncio
Que se serve com tâmaras e com chá
Na mesa rasteira, sobre a terra molhada.
É no que não se nomeia que está o infinito.

José Jorge Letria

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1951-o-deserto-inominvel-o-deserto-um.html

Primeiro foram os dedos - 2008-09-26 03:49






s/d


Primeiro foram os dedos
que travaram conhecimento.
Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo.

É assim a descoberta do poeta,
apesar de tudo se passar na sua cabeça,
dando origem a mais um poema.

Maria Carlos Loureiro


Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/primeiro-foram-os-dedos-primeiro-foram.html

Há dias assim... - 2008-09-26 03:49



as palavras deixaram de existir.

Supunha-as outras.

Esperava por ti, nelas.

Mas nunca virás.

Percebi.

Fátima Pinto Ferreira



Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/h-dias-assim.html

Desejos de Junho - 2008-09-26 03:49






s/d



no lento triunfo da noite
estremece o coração poema
amantes sonham-se deuses
desfeitos enlaçados pelo engano
da mísera solidão devotos

no leito os seus corpos de sede
docemente guardam beijos
neles os cetins e os clarões
das tochas crepitam melodias
de alfazema místicos apagados
encurvados no gesto do abraço
êxtase perdido como o sol sem forças

beijos adivinham instintos
angústias de sono nos lábios
tépidos do novo dia

as almas jardins do corpo
unidas à natureza pelas
raízes das águas encontram
a beleza na claridade
do suor nocturno das danças
sagradas inebriantes mornas
no túmulo ébrio
onde o sangue se agita...
nascem rosas
acordam floridos na virgindade
dos seus olhos onde os anjos
servem doces lágrimas

renova-se o mundo
pedaço de tempo
que lhes sobra...

Henrique Levy

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/sd-desejos-de-junho-no-lento-triunfo.html

Das utopias - 2008-09-26 03:49





1906/1994



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19061994-das-utopias-se-as-coisas-so.html

A noite do meu bem - 2008-09-26 03:49





1945/1982




Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.

Dolores Duran/Elis Regina

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19451982-noite-do-meu-bem-hoje-eu.html

Sozinho - 2008-09-26 03:49





1942



Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está maduro
onde está você agora?

Peninha/Caetano Veloso

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1942-sozinho-s-vezes-no-silncio-da.html

Este seu olhar - 2008-09-26 03:49






1927/1994



Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar

Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!

Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou, sonhou demais

Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...

Tom Jobim

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19271994-este-seu-olhar-este-seu-olhar.html

Por outras palavras - 2008-09-26 03:49





1965



Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma madrugada
Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguem prometeu nada
Fui eu que julguei que sabia arrancar sempre
Mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

Mafalda Veiga

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1965-por-outras-palavras-ningum-disse.html

Quero - 2008-09-26 03:49








1902/1987




Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/19021987-quero-quero-que-todos-os-dias.html

Roteiro de Lisboa - 2008-09-26 03:49





1937



Vejam meus senhores
é uma cidade
com suas crianças
homens sem idade

É uma cidade
cercada colhida
é uma cidade
uma rapariga

Casas de ocultar
os homens lá dentro
mulheres que se mostram
envoltas no vento

Vejam meus senhores
é uma cidade
com seus monumentos
histórias de braçado

Histórias de braçado
que ensinam na escola
um castelo um rei
mais uma glória
vejam meus senhores
é uma cidade
com suas crianças
homens sem idade

Lá em baixo o Tejo
que é nome do rio
a lamber as armas
com suas colunas

Com seus prédios velhos
um rio lá em baixo
a lamber as pedras
as pernas-guindastes

De onde o seus bateis
partiam diurnos
vejam meus senhores
é uma cidade
de mãos empurradas
no fundo sem idade
com suas crianças
homens dos olhos

De bruços o céu
com seus girassóis
Lisboa é cidade
com heróis de luto

Maria Teresa Horta

Fonte: http://forjadepalavras.blogspot.com/2006/06/1937-roteiro-de-lisboa-vejam-meus.html

Catálogo
Artigos
Goddess







A sua marca
Hora
Saudade

Sondagens
Neste momento não existe nenhuma sondagem activa...
Últimas Photum
Horário
Portugal
Braga-Porto-Lisboa

DESPORTO
Res. jornada
Rio Ave
1
Leixões
2
Marítimo
0
Braga
0
Naval
0
Sporting
1
Nacional
1
Trofense
0
Guimarães
0
P.Ferreira
0
Académica
0
Benfica
2
Setúbal
2
Belenenses
0
E.Amadora
Porto

Classificação
L
Equipa
P
1
Leixões
22
2
Benfica
21
3
Nacional
17
4
Sporting
16
5
Marítimo
15
6
Porto
14
7
Braga
13
8
Naval
11
9
E.Amadora
11
10
Setúbal
10
11
Guimarães
10
12
Académica
9
13
Rio Ave
7
14
Belenenses
7
15
P.Ferreira
6
16
Trofense
4

Próx. jornada
Leixões-Naval
Belenenses-Marítimo
Trofense-Rio Ave
P.Ferreira-E.Amadora
Braga-Nacional
Sporting-Guimarães
Porto-Académica
Benfica-Setúbal
Especial
Anedotas
Um avarento entra num restaurante ao meio dia. Então, pergunta ao empregado:
- Quanto custa o almoço?
- 1.000$00 - responde o empregado.
- E o jantar.
- 600$00
- Então, traga-me o jantar.
Painel controlo
  • Email:
  • Palavra-passe:
  • Lembrar dados
  • Ir administração


Estatísticas
Visitas (Acum./mês)
126 / 2
 
Visualizações (Acum./mês)
101229 / 1336
 
©2008, BlogTok.com | Plataforma xSite. Tecnologia Nacional