Pele 27 - 2008-09-26 03:49
Foto de Francisco Máximo Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/11/pele-26.html
Intimidades 19 - 2008-09-26 03:49
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/11/intimidades.html
Ambiências 45 - 2008-09-26 03:49
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/11/ambincias-45.html
Modos de Vida 22 - 2008-09-26 03:49
No interior da fortaleza de S. João, para além de obras de restauro encontram-se as oficinas dos artesãos de "prata" do Ibo. Aqui, eles realizam uma operação de "estender" o fio. O fio metálico inicialmente de uma determinada espessura vai passando sistematicamente por aquela máquina com calhas de diametros cada vez mais pequenos até que o fio sai completamente filiforme para depois ser trabalhado pelos artesãos. Uma operação que demora cerca de 10 minutos de esforço suado para um cabo de 5 metros.
Quando lá estava, lembrei-me que deveria haver uma máquina assim para os gordos "magnatas" dos lucros pornográficos que originaram esta crise financeira mundial. Depois de passarem por este processo talvez fossem perdendo gradualmente a ganância e ganhando um pouco mais de ética.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/10/modos-de-vida-23.html
Ambiências 44 - 2008-09-26 03:49

Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/10/ambincias-44.html
Retratos 29 - 2008-09-26 03:49

Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/10/retratos-25.html
Pele 26 - 2008-09-26 03:49

Foto de Francisco Máximo
I'm so tired of playing,
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/10/pele-26.html
Séries 29 - 2008-09-26 03:49
Era noite, cerca das 21:00 e vinha de Chimoio para a Beira. Viajar de noite nestas estradas é uma aventura, porque os moçambicanos andam a pé e de bicicleta ao longo da estrada como se estivessem a passear em casa. E andam sem qualquer tipo de iluminação ou sinalização. O motorista que me acompanha diariamente, felizmente, é cauteloso e passa a viagem toda a buzinar.
Quando estávamos a passar por uma pequena cidade já perto da Beira, Dondo, passa por nós um carro meio tuning em alta velocidade mesmo em frente a um posto policial. Cerca de 2 km à frente do local da ultrapassagem, apercebemo-nos que o carro está parado no meio da estrada e a fazer marcha-atrás. Aproximamo-nos devagar e quando estamos a chegar vemos um corpo de um homem estendido no meio da estrada, projectado para a outra faixa de rodagem, numa posição tão torcida que se percebia que haveriam várias fracturas nas pernas, talvez coluna e sabe-se lá mais onde.
?Porra, o gajo foi atropelado!? diz o motorista. O condutor do carro da frente, um jovem moçambicano, sai do carro, olha para o homem e fica em pânico sem saber o que fazer.
?tem que afastar o homem do meio da estrada e colocá-lo na berma!? diz o motorista.
?estou a pedir ajuda? diz o jovem. ?Estou a pedir que chamem ajuda?. O motorista diz que sim, inverte a marcha e dirige-se rapidamente para o posto policial que havia 2 km atrás.
Chegamos, vemos imediatamente um polícia e o motorista conta-lhe o sucedido.
?tá a respirar?? pergunta o polícia.
?Está, não está ainda morto? diz o motorista. ?vão lá e chamem uma ambulância?
?Não posso sair daqui agora? diz o polícia ?para irmos lá depois tínhamos que fazer medições??
Espantado com a conversa intervenho pela primeira vez ? Mas chame uma ambulância! O homem precisa de ir para o hospital?
? O condutor que o atropelou é que tem a obrigação de o levar para o hospital!? afirma o polícia como se não fosse nada com ele.
? mas o homem está todo partido, precisa de tratamento médico? insisto.
?o condutor que o leve!? reafirma o polícia.
?Espero que você nunca precise de uma ambulância! Vamos embora que já estamos atrasados!? digo eu para o motorista, zangado e incrédulo com a atitude daquele animal.
E quando chegamos ao local do acidente, ajudamos a transportar aquele corpo todo disforme para o carro. Não sei se o matámos enquanto o transportávamos para o carro? no final e para rematar, diz o motorista: ?Vá lá, o homem teve sorte, o condutor até parou, que a esta hora, xii? ninguém pára!?
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/09/sries-29.html
Ambiências 43 - 2008-09-26 03:49
Há uns dias atrás pensava nas memórias que vamos colectando ao longo da vida e nos encontros e desencontros que se estabelecem entretanto. Ter regressado ao parque após uns meses de ausência foi uma vivência aconchegante. Fui recebido com enorme carinho e calor e aproveitei para matar saudades de alguns bradas e sisters. Abraços, confidências, desabafos, alegrias e sobretudo amizade.
Claro que se impunha uma festa de arromba pela noite dentro e uns safaris para voltar a encher a alma daquela beleza natural.
Há gente boa, muito boa! Inclusive aqueles e aquelas que nos dizem "Você não presta mesmo! Atão não vai lá se despedir? Tem lá 2M!"
Até, gente boa!
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/09/ambincias-43.html
Pele 25 - 2008-09-26 03:49
Me llaman el desaparecido
E era nesta aparente contradição que vivia, a contradição de querer, de dar, de receber e de não estar. É, sentia-se por vezes um espectro, um fantasma que marcava os lugares por onde passava mas que era incapaz de se envolver neles, uma espécie de odor que pairava no ar que, por vezes, chegava até a impregnar. Mas, vá-se lá saber porquê, apavorava-o cheiros de tocas e de pessoas que se tornavam demasiado familiares. Preferia continuar solitário sem ter hábitos rotineiros com ele e com os outros.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/09/pele-25.html
Pele 24 - 2008-09-26 03:49
Quem és tu? se ao menos existisses... Adorava conhecer-te!...
Recuso essa ideia e é por isso mesmo que pensei em ti. Pergunto-me se será pela cor dos olhos, pelo cheiro da tua pele, pela energia que emanas, ou pela forma como me amas??
"É urgente o amor.
Preciso de mim!... preciso de ti!
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/08/pele-35.html
Dia Internacional da Fotografia - 2008-09-26 03:49

Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/08/dia-internacional-da-fotografia.html
Intimidades 18 - 2008-09-26 03:49
Cantava o Luís Represas em tempos, uma canção que não sei, e sou incapaz de reproduzir de memória, precisamente sobre a memória. E dizia ele que ?as memórias são como livros escondidos no pó?. Mas são livros especiais, com muito menos páginas do que as vivências, porque não contam a história toda, mas só aquilo que se quer recordar. Uma espécie de resumos subliminares das coisas boas que se quis guardar. Dizia também um filósofo a este propósito que ?A memória age como a lente convergente na câmara escura: reduz todas as dimensões e produz, dessa forma, uma imagem bem mais bela do que o original?
É tanto assim que se se quiser reconstituir um momento passado vivido por duas ou mais pessoas, elas, em conjunto, terão uma história bem mais rica e diferente do que se fosse contada por apenas uma.
É exactamente sobre este confronto de memórias sobre a mesma história que me apetece dizer que no essencial, a tela, a matriz, o cenário são os mesmos. As cores e os pormenores dos traços com que se enchem a tela é que são diferentes e essas diferenças são determinantes no relato de uma história ou de um acontecimento.
Vem isto a propósito de memórias passadas que revisitei quando estive em Portugal e memórias futuras que ficarão daqui de Moçambique ou de outro lado qualquer onde possa estar e vem também a propósito de que, no essencial, gosto das memórias que vou colectando. E sinto-me em paz. Uma paz, porém, irrequieta.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/08/intimidades-18.html
Séries 28 - 2008-09-26 03:49
Naquela noite decidiu convidar a Estele para uma saída cultural, uma sua conhecida de amigos comuns, um conhecimento que ainda gatinhava e que pensou poderia começar a andar a partir daquela noite, uns passos tímidos mas seguros para uma relação de amizade, porque a Estela era boa onda mas não o entusiasmava nem atraía para mais do que umas francas gargalhadas.
E a noite corria e escorria, umas cervejas atrás de outras e mais sabe-se lá o quê, música, dança e a subtileza feminina da Estele caiu por terra e deu lugar à investida, directa e sem mais. Ele, que a tinha flirtado infantilmente, sem esperar rigorosamente nada mais do que o encanto entre duas pessoas, foi apanhado desprevenido pela investida. Meio tolhido do álcool não conseguiu nem fez esforço para contrariar a investida e só pensava lá no fundo que não era bem aquilo que ele queria, mas a espuma da cerveja já tinha derrubado os muros da vontade e dali para a frente seria o que o destino, não ele que já não tinha qualquer capacidade de decisão, quisesse.
No caminho pela auto-estrada decidiu, talvez pela reserva de lucidez que emergia para o fazer conduzir o carro, que em vez de não ter a mão em nada era tempo de deitar a mão a qualquer coisa de palpável e apreciar aquele belo corpo que ali estava disponível. E assim fez, com um sorriso pateta que parecia dizer agora sou eu que mando a minha vontade que afinal é a tua, começou a tocá-la com uma mão enquanto segurava o volante com a outra. E ela agradeceu, sentiu que a investida que tinha feito até então começava a dar os frutos que desejava e que finalmente o prazer carnal que ansiava, chegava. Despiu-se ali mesmo no banco do carro de forma a poder absorver em todos os poros os toques que desejava e nem o facto dele estar a partilhar a atenção à estrada e ao seu corpo a incomodava, pelo contrário, estimulava-a ainda mais. Pernas abertas e pés sobre o tabliê, a posição que escolheu para a recepção de outra pele que não a dela.
Os primeiros raios de luz já se faziam ver durante a viagem. Ela, satisfeita com a forma como o dia despontava, ele, aturdido, meio autómato de uma vontade que não era a dele e que não conseguia contrariar. Chega o fim da auto-estrada, o anúncio das portagens e ela, abrindo os olhos devido ao abrandamento da marcha, olha para a trajectória escolhida e pergunta meio incrédula, meio horrorizada: ? Não tens VIA VERDE????
Ele responde com o ar mais natural e espantado com tamanha incrudelidade: ? ...não??
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/08/sries-28.html
Séries 27 - 2008-09-26 03:49

Regressei durante um mês e meio à terra natal, o cantinho da Europa. Acho que não exagero se disser que a minha percepção é que algo mudou neste ano que passou e mudou infelizmente para pior. A depressão colectiva que já dava sinais no ano passado instalou-se e, segundo parece, para ficar por muitos e penosos anos.
Crise é a palavra mais ouvida e escrita neste país: crise energética, crise imobiliária, crise alimentar, crise social, crise bolsista, crise financeira. Desemprego, pobreza, nova pobreza, falências, sobre-endividamento, insegurança, violência urbana, fraudes, são os chavões que fazem manchetes na comunicação social. Não há opinador, comentador e político que não falem e não vaticinem que a crise está e para durar.
O curioso é que nesta crise, aqueles que a anunciam que a originaram e que a gerem, não parecem nada afectados por ela. Na verdade a crise é para os outros e não para eles. Lucros indecorosos das grandes empresas que nunca ganharam tanto, ordenados e autodistribuição de prémios verdadeiramente escandalosos e indecorosos que contrastam com a miséria crescente à sua volta. Uma verdadeira lógica de terra queimada que será impossível de sustentar. O exemplo paradigmático é o da cimeira dos G-8 no Japão onde o tema em cima da mesa era a fome, a crise alimentar e ambiental. Ora os 8 e mais uns amigos refastelaram-se com um jantar que nos dias que correm seria facilmente catalogado de pornográfico!
No meio disto encontro uma franja social portuguesa frequentadora da noite que vive a vida como se ela fosse acabar amanhã porque o futuro anda demasiado incerto: Imediatismo nas relações como se fossem um sorvete, imediatismo na atitude como se o álcool e as drogas deixassem abrir as portas que sobriamente estariam fechadas. Porque em alturas de depressão nada como uns aditivos para colorir o cinzentismo paira no ar, que pintam o mundo de amor fácil e que mostram as "realidades" que se querem mirar.
No final, tendo a achar que África, com todos os desequilíbrios, toda a humidade e calor, é um local de descanso e de repouso.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/07/sries-27.html
Séries 26 - 2008-09-26 03:49
- Ah, não tem nada que enganar, vá sempre em frente e depois vire à direita!
- Muitíssimo obrigado!
?
- Bom dia! Desculpe, eu ando à procura do caminho do futuro? disseram-me para ir sempre em frente e virar depois à direita, mas fui parar a um caminho que desabou e? não tem alternativas?
- Ah claro! esse caminho pela direita só podia dar mesmo num beco sem saída! É pela esquerda o caminho! mas antes do cruzamento onde virou à direita!
- Muitíssimo obrigado!
?
- Bom dia? olhe já estou cansado de procurar o caminho para o futuro? primeiro disseram-me para virar à direita e fui dar a um beco sem saída, a estrada tinha desabado? percebe?... depois disseram-me que era para virar à esquerda antes de ter virado à direita, mas fui dar a uma estrada cheia de rotundas, fartei-me de andar às voltas, às voltas e no fim, nem sei como, fui parar ao mesmo sítio onde a estrada tinha desabado?
- O quê? Você está a gozar comigo?
- Como assim, eu procuro o caminho do futuro??
- O caminho do futuro? Mas que raio de porra é essa? Você é maluco ó quê?
- Não senhor, eu procuro o caminho do futuro, do futuro sustentado e sustentável?
- O caminho do futuro? Você é mesmo maluco!... e ainda por cima o caminho do futuro sustentável?? Para além de maluco é imbecil e está a gozar comigo!
- Mas não, veja bem, quero saber o caminho para um futuro onde a conservação seja um conceito a vigorar em pleno, onde o aumento demográfico seja travado drasticamente, onde a desertificação dos campos agrícolas pare e o aumento da produção de alimentos seja real, onde pare a especulação bolsista e as fusões em larga escala, onde se respeitem os direitos humanos e a justiça social, em que acabe a divisão do mundo em vários mundos, onde se consiga travar o aquecimento global e se desenvolvam formas de energia credíveis e limpas, onde a água seja um bem acessível para todos...
- Oh homem, não seja parvo!
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/06/sries-26.html
Séries 25 - 2008-09-26 03:49
Os primeiros raios de luz que o faziam despertar eram muitas vezes penosos e agressivos. O corpo fazia-o lembrar com dor dos excessos que cometia e da falta de comida que se esquecia de ingerir. É, insistia em enganar o corpo com álcool e com álcool combatia a ressaca.
Agora, porém, a presença daquela alma que subitamente lhe apareceu em casa numa dessas noites perdidas no tempo e que, sabe-se lá porquê, foi ficando noite após noite e dia após dia, estava-lhe a provocar mudanças no seu quotidiano.
Comia agora melhor, preocupava-se com a alimentação e a verdade é que cada dia que passava o seu apetite ia ficando cada vez mais voraz. Permitia-se agora, em momentos de rara intimidade, depois de autênticos repastos para os sentidos que ela carinhosamente lhe preparava, dizer - És tão boa para mim! Mas depressa acrescentava sofregamente com toda a gula e luxúria que aos poucos se libertavam e o dominavam - Quero mais!
Um dia, quis demais. E quis nos seus próprios termos, aqueles em que afinal estava habituado e com os quais pautava até aí a sua vida solitária. E sem que uma única lágrima dela se soltasse, morreu, só, espojado, de barriga para o ar, afogado com o seu próprio vómito de cerveja. Ela, comprou uma flor em sua honra e atirou-a ao mar, esperando que a corrente a levasse para bem longe porque afinal ela era uma sobrevivente e sempre acreditou que em cada esquina, a vida, tal como a morte, espreitam.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/06/sries-25.html
Séries 24 - 2008-09-26 03:49
Era cedo. Bem cedo tendo em conta as escassas horas que a vírgula tinha descansado, porque na realidade a noite já se fazia anunciar com os últimos raios de sol. Na madrugada anterior tinha ficado pendurada numa frase que alguém não chegou a acabar,porque se desligara.
E a vírgula deambulava pela casa à procura de uma palavra ou uma frase certa onde se pudesse encaixar. Sabia a importância que tinha, criava uma pausa, um certo momento de reflexão, entre as palavras onde se interpusesse. Dava um ar mais solene, mais pausado, mais maduro, pensava. Porém precisava desesperadamente de palavras para dar um sentido à sua existência. Assim, cansada de estar naquela casa em silêncio, onde os raios de sol que penetraram pelas amplas janelas não tiveram a eficácia para acordar ninguém, decidiu ela própria ir ao encontro daqueles seres adormecidos na esperança de os acordar e, dessa forma, aproveitaria a primeira oportunidade para se aninhar entre as primeiras palavras que se soltassem e que fossem coerentes com a sua condição.
Visitou um a um os três seres que para ali jaziam, dois aninhados na mesma cama e outro que se encontrava sozinho num quarto.
Depositou esperanças no casal. Pensou que seria mais provável que entre dois se pudessem soltar palavras ou frases soltas, como comboios que partiriam e ela apanharia a carruagem certa. E assim ficou, qual caçador furtivo, à espreita primeiro de sons com sentido e com significado. Sentou-se à beira da cama, por cima da cabeceira, nas almofadas, esperando que esta súbita actividade os pudesse despertar. Mas nem assim, eles pareciam seres inanimados e a única prova de que não estavam mortos era o calor que libertavam e uns roncos soltos e descompassados que se soltavam sem ordem e sem ritmo.
Caramba, pensou, um ronco, dois roncos não são lugares para mim. Que diriam as outras vírgulas quando soubessem que ela não tinha conseguido melhor do que aninhar-se entre dois roncos? rooom, room. Não, não era para isso que ela tinha sido criada! Exausta de esperar decidiu ter uma atitude mais arrojada: já que não conseguia entrar na carruagem de palavras iria entrar no avião dos pensamentos. Era isso, iria pôr-se à escuta dos pensamentos daqueles dois e iria ocupar o seu lugar entre os pensamentos, dando uma pausa e um ritmo aos sonhos daquelas criaturas que se encontravam nas profundezas. Pôs-se à escuta, tentou cuidadosamente sintonizar a frequência daqueles dois mas, para seu espanto, daqueles nada saía, nem um pensamento. Nada saía não é completamente verdade, já que eles exalavam um hálito a álcool estragado e, percebeu para infelicidade sua, que aquele álcool e sabe-se lá que mais, era o responsável por todo aquele vazio de ideias e por todo aquele estado de inanição.
Foi o pânico, ela, uma vírgula, não tinha lugar naquela frase que ameaçava ser a única que se soltaria daquela boca. Desejou ser um ponto de interrogação, um ponto final ou, até em desespero, um ponto e vírgula, mas a verdade nua e crua é que era apenas e só uma vírgula sem lugar onde cair. Libertou-se com dificuldade dos cabelos e decidiu empoleirar-se nas sobrancelhas, bastante menos perigosas, e espreitar para baixo, completamente debruçada para poder ver a boca e assim saltar e agarrar a palavra certa que a salvaria daquele pesadelo e daquelas ressacas que os três arrastavam nos olhos baços e remelosos. Tanto se debruçou que o horror aconteceu: caiu directa na lata de chá, misturando-se com as ervas secas que também pareciam vírgulas e, como um mal nunca vem só, foi arrastada pela colher que a levaria para a água fervente.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/06/sries.html
Retratos 28 - 2008-09-26 03:49
Entretanto, mais de 35.000 moçambicanos regressaram ao país de origem sem um único haver e vinham como gado, aos molhos em comboios de camionetas de caixa aberta e pick-ups por tudo o que era estrada ou picada que chegasse a Moçambique. O problema deste êxodo é que esta gente que saiu sem alternativas regressa ainda numa posição mais frágil, sem alternativas de trabalho e desenraizados. Imagino eu que agora a onda de criminalidade aumentará com todos estes moçambicanos, nigerianos, zimbabuéanos e sei lá que mais, que regressaram desesperados mas com um horizonte de esperança que se fechou na fronteira.
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/05/retratos-24.html
Sugestão 11 - 2008-09-26 03:49

Entre 15 de Maio e 15 de Julho decorre o período de recepção da candidatura ao PRÉMIO NOVO TALENTO FNAC FOTOGRAFIA 2008.
Desde 2003, a FNAC organiza o Prémio Novo Talento Fnac Fotografia procurando consagrar jovens fotógrafos que apresentem trabalhos inéditos, originais e com uma escrita fotográfica coerente. Em 5 edições, foram vencedores deste Prémio Pedro Guimarães, Francisco Kessler, António Lucas Soares, Virgílio Ferreira, João Margalha, Nelson d?Aires e Inês d?Orey.
Para mais informações sobre o regulamento vejam www.fnac.pt
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/05/sugesto-11.html
Ambiências 42 - 2008-09-26 03:49

Ultimamente tem-se falado bastante da crise alimentar que se reflete na escassez de alimentos e no aumento desmensurado dos preços. Lembrei-me de um mail que recebi há tempos sobre este tema e que se referia a uma pesquisa feita pela ONU.
Rezava assim o mail:
" A ONU decidiu fazer uma grande pesquisa mundial lançando uma pergunta ao mundo:
Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo.
Os resultados foram embaraçosos, porque:
- Os europeus do norte não entenderam o que era escassez;
- Alguns países africanos não sabiam o que era alimentos;
- Os espanhóis não sabiam o significado de por favor;
- Os norte-americanos pediram explicações sobre o significado de resto do mundo;
- Os cubanos estranharam e pediram mais explicações sobre o termo opinião;
- Os parlamentos dos PALOPs andam ainda a debater o que significa diga honestamente."
Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/05/ambincias-42.html
Ambiências 41 - 2008-09-26 03:49
"tenho medo que a liberdade se torne um vício"
Johnny Clegg foi e é um homem que cantou a desigualdade social na áfrica do sul nos tempos do auge racial e que preconizou uma sociedade alicerçada em valores democráticos. Enquanto cantava alguns dos seus hinos acompanhado por outras vozes africanas que se harmonizavam com ritmos contagiantes, a assistência, casais com filhos, avós e netos, dançava e cantava sentindo aquela música com imensa alegria.
Claro que não faltou uma canção dedicada ao decréptico mas ainda perigoso Robert Mugabe e à situação política no Zimbabwe.
No fim do concerto contagiado por aquele ambiente de comunhão, tive que ouvir umas vozes portuguesas e fundir-me com umas vozes amigas que há muito não ouvia.
Acabei a noite a dormir num pequeno e simpático lodge bem no meio de uma reserva natural, rodeado de vida selvagem e de uma paisagem deslumbrante, tão característica de áfrica. Adormeci com um sono solto, com aquela frase a visitar-me e a acordar-me.

Fonte: http://blografiascomluz.blogspot.com/2008/05/ambincias.html


















